Sergei Paradjanov
A LIBERDADE CRIATIVA DE UM ARTISTA
Sergei Paradjanov nasce em 9 de janeiro de 1924, filho de um casal armênio, Joseph Paradjanov e Siranush Bejanova, em Tiflis, hoje Tbilisi, Georgia. Em 1942, começa a trabalhar no Instituto de Transportes Ferroviários. Mas logo larga o trabalho para seguir carreira artística no Conservatório de Música e Artes de Tbilisi. Em 1945, após estudar dança e música, é admitido no curso de direção para cinema na VGIK (Instituto Cinematográfico do governo, em Moscou). Sob a orientação criativa de Igor Savchenko e Alexander Dovzhenko, faz seu primeiro filme, Um Conto da Moldávia (Moldovskaya skazka), em 1952. Um ano antes, casa-se com Nigyar Serayeva, uma bela garota tártara, que morre tragicamente no mesmo ano. Nigyar é jogada embaixo de um trem por seus parentes, por ter se casado fora de sua religião.
Depois de se formar com sucesso na VGIK, o jovem cineasta é enviado para a Ucrânia para trabalhar nos estúdios Dovzhenko. Lá, dirige vários curtas-metragens e documentários. Em 1955, Paradjanov se casa com Svetlana Shcherbatiuk, sua musa. O casamento dura apenas seis anos, mas nesse período Svetlana dá à luz o único filho de Paradjanov, Suren, nascido em 1958.
Os primeiros filmes de Paradjanov rodados nos estúdios Dovzhenko têm a marca da estética do realismo socialista, sendo rejeitados posteriormente pelo diretor como “lixo”. A virada em sua carreira se dá com a realização da obra-prima Sombras dos Ancestrais Esquecidos (Tini zabutykh predkiv, 1964). O filme rapidamente alcança fama, vencendo vários prêmios de prestígio em festivais internacionais. Sua obra-prima seguinte, A Cor da Romã (Sayat Nova), retrata a vida do poeta armênio Sayat Nova por meio de um imaginário lírico, poético e belamente construído, sem tramas ou diálogos. A sequência de abertura do filme, formada pelos escritos de Nova, ressoa por toda a obra: “Eu sou o homem cuja vida e alma são tortura”.
Sua personalidade e estilos de vida extravagantes, assim como sua abordagem pouco ortodoxa do cinema, não são bem vistos pelos oficiais soviéticos. Em dezembro de 1973, Sergei Paradjanov é preso por acusações falsas e condenado a cinco anos de prisão. Os anos passados nos campos de trabalho soviéticos são os mais negros de sua vida. Mesmo assim, seu espírito criativo não é sufocado; pelo contrário, encontra as mais vibrantes formas de expressão por meio de desenhos, colagens e escritos. Nesse período, ele escreve mais de vinte roteiros de filmes. Após inúmeras tentativas de intervenção a seu favor por parte de artistas e intelectuais renomados mundialmente, Paradjanov é finalmente liberado pelas autoridades soviéticas. Ele permanece, contudo, na lista negra dos oficiais soviéticos, e apenas retoma sua carreira em meados dos anos 1980.
Apesar da saúde debilitada, Paradjanov dirige A Lenda da Fortaleza Suram (Ambavi Suramis tsikhitsa, 1984) e O Trovador Kerib (Ashik Kerib, 1988), filmes de enorme aclamação internacional. O Trovador de Kerib, seu ultimo filme, baseado no conto de Lermontov, é dedicado à memória de seu querido amigo e cineasta reverenciado, Andrei Tarkovski. Sergei Paradjanov sofre o mesmo destino de Tarkovski, morrendo de câncer nos pulmões quatro anos depois do amigo, em 21 de julho de 1990. É enterrado no cemitério Pantheon, em Yerevan. Desde a morte de Paradjanov, o diretor tem recebido várias homenagens de Estado. Em 1991, o Museu Sergei Paradjanov é aberto em Yerevan. Em 1993, uma placa memorial no seu apartamento é montada em Kiev. Em 1997, um monumento ao cineasta é inaugurado nos estúdios Dovzhenko em Kiev. Em 2004, outro monumento é inaugurado em Tbilisi. Ironicamente, a casa de Paradjanov em sua amada Tbilisi é destruída. “Um profeta não é nada sem honra, exceto em seu lugar nativo e sua própria casa…”.
A mostra “Paradjanov, O Magnífico”, em cartaz no Museu da Imagem e do Som (MIS), com museografia de Daniela Thomas e Felipe Tassara, traz pela primeira vez ao Brasil 60 colagens e desenhos desse grande mestre, já apresentadas em museus e galerias de todo o mundo. Uma chance de conhecer a obra de um artista que usou seu talento para captar o espírito de seu tempo e transformar em arte o seu grito de liberdade.
Exposição PARADJANOV – O MAGNÍFICO
De 20 de outubro a 20 de novembro de 2011
Terça a sábado, das 12h às 22h; domingos e feriados, das 11h às 21h
Museu da Imagem e do Som (MIS)
Av. Europa, 158, Jardim Europa – São Paulo
Entrada gratuita
FILMOGRAFIA
1952 – Moldovskaya skazka (Um conto da Moldávia)
Filme de conclusão de curso, VGIK, Moscou
1954 – Andriesh
Longa-metragem, Dovzhenko Film Studio, Ucrânia
1957 – Natalia Uzhvii, Dumka (Mãos douradas)
Documentário, Documentary Film Studio, Ucrânia
1958 – Pervyy paren (O primeiro rapaz)
Longa-metragem, Dovzhenko Film Studio, Ucrânia
1961 – Ukrainskaya rapsodiya (Rapsódia ucraniana)
Longa-metragem, Dovzhenko Film Studio, Ucrânia
1962 – Tsvetok na kamne (Flor na pedra)
Longa-metragem, Dovzhenko Film Studio, Ucrânia
1964 – Tini zabutykh predkiv (Sombras dos ancestrais esquecidos)
Longa-metragem, Dovzhenko Film Studio, Ucrânia
1966 – Afrescos de Kiev
Longa-metragem, Dovzhenko Film Studio, Ucrânia (incompleto)
1965 – Hakob Hovnatanyan
Documentário, Yerevan Documentary Film Studio
1969 – Sayat Nova (A Cor da Romã)
Longa-metragem, Armenia Film Studios
1984 – Ambavi Suramis tsikhitsa (A Lenda da Fortaleza Suram)
Longa-metragem, Georgia Film Studios
1986 – Arabeskebi Pirosmanis temaze (Arabescos sobre o tema Pirosmani)
Documentário, Georgia Film Studios
1988 – Ashug Karibi (O Trovador Kerib)
Longa-metragem, Georgia Film Studios
1989 – Ispoved (Confissão)
Longa-metragem, Armenia Film Studios
(incompleto, devido ao estado de saúde do diretor)