11 / 6 / 2012
ecos
Redação: Thiago Stivaletti, para o Jornal da Mostra
Edição: Renata de Almeida

Depois do sucesso de “Paris, Te Amo” e “Nova York, Eu Te Amo”, sete diretores de diversas partes do mundo se juntaram para prestar sua homenagem a Havana, uma cidade mergulhada no processo de transição entre o comunismo fechado de Fidel e a abertura gradual de seu irmão Raúl. 7 Días en la Habana foi um dos destaques da mostra Un Certain Regard no Festival de Cannes. 

Radicado nos EUA, o porto-riquenho Benicio del Toro abre o longa com um segmento cômico sobre um típico garoto americano, de boné pra trás, que chega à capital cubana para estudar cinema. Ele se envolve com um travesti e a partir daí começa a se despir de preconceitos. O argentino Pablo Trapero imagina o sérvio Emir Kusturica como convidado do Festival de Havana, bebendo e perdendo-se pela cidade. 

Os franceses Gaspar Noé (de “Irreversível”, 26ª Mostra) e Laurent Cantet (“Entre os Muros da Escola”) contribuem com episódios interessantes. Como em seus longas, o palestino Elia Suleiman (“O que resta do tempo”, 33ª Mostra) se coloca ele próprio em cena como um turista um tanto deslocado, tentando compreender os absurdos de um país totalmente oposto ao seu. As sequências impagáveis em que Elia assiste na TV do quarto do hotel a um dos intermináveis discursos de Fidel é um dos momentos altos de “7 Días en la Habana”. 

BULLYING 

O mexicano Michel Franco vem marcando sua carreira por filmes sensíveis como “Daniel e Ana” (33ª Mostra). Desta vez, ele saiu vencedor da mostra Un Certain Regard de Cannes com Después de Lucía, atualíssimo retrato da geração do bullying, cujas relações são mediadas pela internet, os sites de relacionamento e o celular. 

Alejandra é uma adolescente que vive com o pai, Roberto, depois da morte da mãe. Durante um fim de semana na casa de amigos, ela transa com seu “ficante” e ele filma o ato. Logo, a cena vai parar no celular, e Alejandra começa a ser humilhada constantemente pelos colegas. 

Franco filma as cenas de bullying sem concessões, mostrando toda a crueza e violência que pode caracterizar as relações entre adolescentes. Um filme atual, que merece ser visto por pais e jovens.